quarta-feira, 23 de julho de 2008

.insustentabilidade.

(Serralves, Fevereiro de 2007,
uma fotografia da minha coisinha ruim)

A luz ténue dos candeeiros de rua eleva a noite. Desenha o vulto dos segredos suspirados a medo pelo vento às folhas das árvores. O cadeirão das flores repousa na varanda. Cumpre a sua função albergadora de pensamentos alheios. Eu fumo cigarros e olho para os meus pés vestidos pelos sapatos cinzentos. E penso, penso que já não sei fazer poemas. Os olhos já não se fecham e a mão já não deriva sozinha. Agora escrevo aquilo que não sei. Tenho os olhos abertos e a vertigem na boca.
A insustentabilidade assusta-me. A leveza desse amar perene consome-me. Faço-lhe as contas, divido-o pelo carnal e multiplico-o pelo platónico. O resultado é incerto, arredondado a uma estimativa pois que o amor não tem mesura. E as contas que fiz, guardei-as. Deixei-as perdidas, anotadas em versos de papel rasgado.

3 comentários:

nove e tal disse...

muito bem!

se calhar uma outra equação e tinhas o prob resolvido. ou talvez não.

*

RT disse...

hello. my name is jose mourinho, I'm a football coach and when I feel people need me... I'M THERE.

RT disse...

és tu :P