sexta-feira, 22 de agosto de 2008

domingo, 17 de agosto de 2008

.m'importa di te.

One ear and...
by Yoshitomo Nara

"Seduti a terra sotto il davanzale dei lavatoi Maria mi fa tenere le mani sul suo petto. Sto un poco storto, scomodo, però le lascio lì. La frangia nera sulla fronte sua piglia un poco di ventariello fresco di ponente, le asciuga la faccia, ci guardiamo zitti per dei minuti sani. Non sapevo che è così bello guardare, guardarsi vicino. Stringo l'occhio buono, con l'altro vedo meno preciso però si sveglia il naso che tira a bordo l'odore sudato di Maria e l'amaro del legno del bumeràn che sta in braccio a me. Lei pure chiude un poco un occhio, poi fa a cambio con l'altro e ci guardiamo fitto e poi scappa da ridere per certe smorfie di cambiare luce agli occhi. Stasera ha detto: "M'importa di te". Pur'io ci tengo, ma non lo so dire così giusto e neanche posso rispondere: pur'io. Così mi sto zitto." (p.47)
Montedidio
Erri di Luca

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

.guarda-o.

Se por alguma estranha coincidência de telepatia sincronizada entre o meu coração que salta incansável à minha boca e o teu, que há muito não sei como bate - saberias as saudades que te tenho. A falta que fazes.
Que fazer com o que me deixaste? Enviar-te as cartas de volta? Devolver-tas porque as palavras que a tinta deixou escapar não fazem mais sentido?
Não, fico com as cartas. Porque um dia foram verdade.
Devolvo-te as tuas fotografias. Deixo-te um passarinho de origami. Guarda-o.

"Por estas e por outras estarás sempre eu contigo e tigo com mim."
O amor é fodido, Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

.post scriptum.

Perdi a conta. Já te senti de todas as maneiras - com paixão, com amor, com desejo, com amizade, com saudades, com ódio, com repulsa, com mágoa.
Lembro-me ainda da sensação de encaixe perfeito dos meus lábios no canto do teu olho com o teu nariz ou do mapa desenhado a beijos nas minhas costas. E de repente sinto um vazio, um aperto no coração. Não sei o que é e penso que é da tua amputação. Os amputados sentem sempre dor no membro ausente, aquele que não existe mais mas que lateja continuamente. Partilho esta dor amputada. Incapaz de encontrar-lhe a cura prometida, resolvo reler as tuas palavras. Umas quaisquer que tivessem feito sentido a uma dada altura. Aleatória, abro um email. Dizia assim no fim: "ps- (gosto de olhar-te nos olhos. mesmo que por vezes me sinta atrapalhado, eu sou assim. meio-parvo)".
Tens razão, és assim. Meio-parvo. É assim que te sinto, de todas as maneiras. Meio-parvo.